Natalie Dormer Brasil
Primeira e maior fonte sobre a atriz britânica Natalie Dormer no Brasil.

Infelizmente, nossa equipe não pôde estar presente na CCXP e ver a Natalie ao vivo. Porém conseguimos dar um jeitinho de acompanhar os passos da rainha durante o evento, através de links, posts e tweets. Graças a uma live do Facebook gravada pelo pessoal do CoxinhaNerd, conseguimos uma gravação completa da participação da Natalie Dormer no painel de Game of Thrones na Comic Con. E nós a transcrevemos para vocês, aqui no site. Confira!

Natalia Bridi: Como que Game of Thrones chegou na sua vida? Como foi que a Margaery chegou na sua vida?

Natalie Dormer: Eu assisto Game of Thrones como uma fã, como vocês, pessoal (Aponta para o público). Na a primeira temporada eu me apaixonei, achei que era algo brilhante. E no final da primeira temporada eu achei que era algo tão forte, tão corajoso, e eu estava assistindo como uma fã, igual a vocês, e meu agente me ligou e disse que (a produção da série) estavam fazendo audições e então… eu estava muito nervosa, porque estava apaixonada pela série. Muito nervosa. Mas acabou funcionando.

NB: A gente falou agora com o Will e com o Sven que são pessoas que trabalham com a arte digital, fazendo a fantasia de Game of Thrones ganhar vida. Como foi pra você o processo de filmagem numa série que tem diversas locações, às vezes duas locações são um lugar só na série,e como é também trabalhar agora com a necessidade dos efeitos visuais que a série aumentou muitas durante as temporadas? Como foi o processo de filmagem?

ND: Game of Thrones é um fenômeno no verdadeiro sentido da palavra e é uma enorme família na frente e por trás das câmeras e foi realmente um privilégio fazer parte dessa família. Quer sejam com os efeitos que vocês estavam ouvindo sobre, figurinistas, roteiro, cabelo, maquiagem…  o pessoal que cuida dos cavalos, todos são os melhores em suas carreiras, funcionando como uma verdadeira família. Mesmo quando eu saí, mesmo quando você sai de Game of Thrones, você sente como se sempre fosse ser parte da família. É uma época muito especial. Eu acho que é parte de uma onda que está transformando a televisão. Eu acho que vamos todos olhar para trás em 20, 30 anos e ver que é um momento muito especial para a televisão. A interação com os fãs! Porque são os fãs, internacionalmente, que fizeram de Game of Thrones o fenômeno que realmente é. É uma comunidade global em um mundo de fantasia e é onde todos nós podemos experienciar nossos amores, nossas perdas, nossas expectativas. Não importa de onde somos, todos podemos ter nossos corações em Westeros.

NB: Falando mais da Margaery, como você vê o arco da sua personagem? Como você recebeu o roteiro de como iria ser o fim dela?

ND: BOOM! (Risos). Não… eu não pensei que Margaery iria chegar até o final, no meu coração eu suspeitava que isso não iria acontecer. Eu não fazia ideia de como iria ser. Quer dizer, eu já tinha tido minha cabeça cortada uma vez, estava torcendo pra que fosse algo diferente.

NB: Como foi gravar aquela cena onde você tinha que parecer frustrada porque sabia o que iria acontecer e sem ter o que fazer em relação a isso, ter que encarar o seu fim?

ND: Foi realmente triste, porque esse foi o personagem que interpretei por mais tempo. Eu a interpretei por cinco anos. Então eu conhecia a Margaery como minha melhor amiga, eu conheço a Margaery como a minha melhor amiga, vocês sabem como. E, novamente, você é parte de uma família e saber que você não vai ver sua família todo dia é triste. Mas eu estava realmente contente por Finn Jones, que interpretou Loras Tyrell, termos saído juntos, porque chegamos na série juntos. Como numa relação irmão-irmã. Eu não vejo muitas relações entre irmão e irmã em séries dramáticas, e todos nós cuidamos de nossos irmãos e irmãs, e é muito importante ter uma trama que foca nisso. É algo que eu gostei muito da relação entre Margaery e Loras.

NB: Como você acha que vai ser o destino da Casa Tyrell? Você acha que vai vir vingança por aí?

ND: Eu acho que Olenna tem planos. Vocês todos lembram que os Tyrell são a segunda família mais rica em Westeros, né? Acho que vão investir o dinheiro em Dany (Daenerys Targaryen, personagem de Emilia Clarke na série).

NB: Agora nas próximas temporadas. Você como fã, que começou como fã de Game of Thrones, o que você quer ver acontecendo?

ND: Ah, bem…

NB: Você quer ver alguém sofrer?

ND: (Responde cantando) Cersei. Ah, vai ser algo do mal. Muito do mal. Ela vai ter o que merece, eu acho. Estou tão animada. Agora eu sou como vocês novamente, eu sou só uma fã de novo. Eu estarei assistindo a série tão animada, sem qualquer pista do que vai acontecer, como vocês, pessoal. Vai ser incrível.

NB: Game of Thrones é uma série com ótimos papéis para mulheres. Eu acho que Jogos Vorazes, que você também participou, também tem papéis ótimos para mulheres. Isso é uma coisa que você vê como mais comum agora ou ainda é uma raridade?

ND: Sim, a maré está virando, a mudança está acontecendo. Está tendo uma evolução e produções como Game of Thrones, Jogos Vorazes.. Vocês tem que entender que o showbusiness está tendo a prova de que histórias sobre mulheres rende financeiramente, trazendo o público pra mais perto, como vocês aqui, tanto quanto histórias sobre homens. Queremos igualdade. Game of Thrones prova isso. Jogos Vorazes provou isso. Mad Max: The Fury Road provou isso. Eu vi o personagem da Charlize Theron e achei que ela estava fantástica. Não são só sobre mulheres sozinhas, também é necessária a presença dos homens. Os criadores de Game of Thrones, o David e o Dan, eles são feministas e acreditam em igualdade, assim como o George Miller que deu o papel para a Charlize Theron em Mad Max. Eu acho que Hollywood agora entende que é financeiramente mais vantajoso dar mais papéis e tempo de tela para as mulheres assim como têm os homens, em filmes e séries.

NB: Isso foi muito interessante de ser dito porque aqui no Brasil tem homens que acreditam que homem não pode ser feminista, que o homem não pode enxergar que ele precisa também participar disso, ou às vezes acusar uma mulher de vitimismo, por falar que ela não recebe as mesmas oportunidades. Você chega a ver isso também? Você já viveu isso?

ND: Eu não posso comentar sobre culturas internas ou políticas internas, eu só sei que eu acredito que se você é um ser humano, você é um ser humano. Não importa se você tem uma vagina ou um pênis, você ainda tem vontades, você ainda ama, você ainda sente medo, você ainda tem esperança, você ainda chora, pode ter fraquezas, pode ser forte. Para mim, gênero não é relevante. Eu só quero assistir uma história realmente boa sobre um indivíduo, e pra mim não importa se esse é homem ou mulher. Eu acho que a maioria das pessoas pensa assim, eu acho que a maioria das pessoas se importam com histórias humanas, mais do que se importam com o gênero. E isso é igualdade. Meu entendimento da palavra “feminista” é apenas igualdade. Não é sobre homens suprimindo homens, não é sobre mulheres tendo sua revanche sobre os homens por causa de 6000 anos de civilização. Isso não é positivo, isso não é o futuro no qual deveremos estar. É sobre respeito e amor. E é sobre contar histórias boas pra caramba*.

NB: O que que você acha, agora que o Trump ganhou a eleição nos EUA, e é uma questão um pouco complicada porque vários artistas eram contra ele e tem essa mentalidade de igualdade, por que você acha que existe uma maré contra esse tipo de coisa hoje em dia?

ND: Eu acredito que vivemos em uma era muito difícil, a tecnologia tem tomado conta das nossas vidas e isso é assustador. E nos sentimos fora de controle algumas vezes. É libertador, mas ao mesmo tempo é aterrorizante. Vivemos um momento político de muita turbulência, e quando isso acontece há muito medo, porque as pessoas se assustam tendo que proteger suas identidades, proteger suas famílias. Eu acho que é por isso que Game of Thrones é uma série tão popular, assim como Jogos Vorazes. A uma distância segura, podemos analisar e interpretar as condições humanas e como a tolerância e educação podem triunfar sobre o medo e a pressão. Então não importa se está se falando de Ramsay Snow ou Presidente Snow, ou certos políticos no mundo que você não gosta. Por isso que é importante você explorar na história como grandes grupos da população juntos conseguem vencer o medo, o preconceito e a raiva. E tem uma coisa que eu também acho, e falando do meu coração como uma britânica, Brexit foi um grande choque para mim e para meus amigos, a ideia de nos separarmos da Europa e não sermos mais inclusivo: 2016 tem sido um ano estranho. Mas se alguma coisa vier desse ano, é uma boa hora para os roteiristas, atores, produtores, criarem mais material, de importância, e dizer algo. É uma forma de protestar contra o preconceito, xenofobia, sexismo. Temos que lutar contra isso e que lugar melhor para fazer isso do que na ficção?

NB: Você era a atriz preferida dos fãs para interpretar a Capitã Marvel. E isso é muito importante na questão da representação, quando se tem uma heroína desde pequena. Tem alguma heroína que você queira interpretar?

ND: Essa é uma boa pergunta. Oh, Deus… Algumas ideias? (Pergunta direcionada para a platéia)

NB: Eu acho que você seria uma boa Medusa.

ND: Isso é super estranho…

NB: Não, não, é a rainha dos Inumanos. Ela tem esse enorme cabelo ruivo, e o cabelo dela é super forte.

ND: Ah, é mesmo?

NB: É…

ND: Eu não sei, estou aberta a sugestões.

NB: E eles vão fazer uma série sobre os Inumanos agora, então você pode pegar essa ideia…

ND: Mesmo?

NB: Fica a dica.

ND: (Risos) Então eu preciso ligar pro meu agente.

NB: Mas você acha que é importante, porque você fez Game of Thrones que é uma série que tem um público muito jovem. Você acha que a sua personagem era uma diretora, que estava numa posição de poder que geralmente a gente associa a homens, porque não vê muito isso acontecendo… como você vê sua personagem influenciando no futuro, influenciando outras meninas?

ND: Acho que não entendi a pergunta por um momento… O que eu gosto em Game of Thrones, e também em Jogos Vorazes, que tem um público mais jovem, é que eu cresço com o pessoal que me assiste. Eles crescem comigo e nos casamos ou não nos casamos, temos filhos ou não, e eu vou conhecendo a mim mesma, como pessoa e como atriz, e eu gosto da ideia de que as pessoas que estão me assistindo estão também crescendo comigo. E ser atriz é isso, é explorar a vida, a vida e também a morte. E eu gosto da ideia de que meu público passa por momentos de alegrias e tristezas, raiva e contentamento e envelhecem juntamente comigo. Porque eu irei morrer nesse trabalho.

NB: Falando agora do Brasil, você imaginava que tinha tantos fãs aqui?

ND: Eu não fazia ideia. É incrível, vocês são incríveis. Incríveis! (Natalie arrisca dizer a palavra em português). Vocês são tão calorosos, hospitaleiros, generosos e felizes. E também tem uma culinária e vinho muito muito bons!

NB: Falando agora dos fãs, vindo aqui você falou de ter contato com os fãs e você falou também sobre como a tecnologia tomou conta das nossas vidas. É algo que você decidiu evitar, evitando a tecnologia e tendo contato mais direto com os fãs?

ND: Bem, eu não estou pessoalmente nas redes sociais, foi uma decisão que eu tomei muitos anos atrás, antes das redes sociais se tornarem o que são hoje em dia. Mas eu faço questão de estar atualizada quanto ao apoio que meus projetos recebem dos fãs. Eu tenho pessoas próximas de mim que fazem com que eu esteja completamente consciente do que está acontecendo na internet. Meus fãs são tudo para mim. Sem as pessoas dessa sala, eu não teria um emprego. E é mais do que um emprego pra mim, é a minha existência, é como eu respiro, como eu sigo com a vida. Então vocês me dão a minha vida. E eu tenho essa oportunidade de viajar e conhecer pessoas,  como as pessoas que conheci hoje, e se tiver alguns de vocês que estiver aqui nessa sala, olá. Acho que nunca dei tantos beijos e abraços quanto hoje, foi um dia maravilhoso. E, bem, sem vocês, pessoal, eu não seria nada, Game of Thrones não seria nada, Jogos Vorazes não seria nada. Teatro, cinema, não seria nada sem o público.

NB: Como foi perceber a importância de Game of Thrones na vida das pessoas, como foi observar a série começar a crescer e chegar nesse ponto global e de chegar ao ponto de ter tantas pessoas que gostam e torcem por você?

ND: Sim, o crescimento da série tem sido um fenômeno para todos da série. Todos conversamos sobre isso. Kit, eu, Emilia Clarke e Lena Headey, todos nos vemos, mesmo não gravando juntos, e nos vemos em coletivas de imprensa e sempre foi o foco de nossas conversas, como a série foi crescendo aos poucos e todos nós ficamos impressionados. Nós não esperávamos que ficasse desse tamanho e então cresce mais ainda. E é um privilégio enorme. E eu acho que o resto do elenco de Game of Thrones, mesmo que eu tenha saído da série agora, iria me permitir dizer a vocês o quanto estão gratos estamos. Porque sabemos que é algo especial e sabemos que são vocês que fazem ser especial. E estamos aproveitando a jornada, de verdade. Acho que vamos olhar para trás historicamente do jeito que olhamos para os filmes de Star Wars de um tempo atrás e vemos como foram bons culturalmente. Estamos conscientes de que esse é um momento único na história.

NB: Qual o seu personagem favorito em Game of Thrones, além da Margaery?

ND: (Natalie ri antes de responder) Eu tenho alguns… Em várias entrevistas atrás, eu disse o Cão, mas é porque eu adoro o Rory (Rory McCan, ator que interpreta Sandor Clegane). Eu adoro Rory e Maisie juntos, a Arya e o Cão. Eu adoro a trama deles. O que eu gosto em Game of Thrones é como constroem duplas inusitadas, como Brienne e Jaime, o Cão e a Arya, ou eu e Sansa. Ou o que vimos recentemente com Tyrion e  Varys. O que os escritores são bons em fazer é construir esses pares e essas linhas do tempo. A série é muito inteligente nesse sentido, eu adoro esses relacionamentos.

NB: E qual o seu momento favorito na série?

ND: É tão difícil… “Olha, a torta!”. (Risos) Estou brincando. Sabe, Jack Gleeson, que interpretou Joffrey, interpretou o mal tão bem, mas ele é um rapaz tão legal. Na verdade, eu adorei aquela semana. A propósito, eu vi meu vestido hoje, no stand da HBO. Lá está o vestido de casamento da Margaery Tyrell, o que eu usei nas gravações. E aquela foi uma das minhas semanas favoritas (a das gravações do casamento entre Margaery e Joffrey), porque foram algumas semanas em que todo o elenco estava junto. Não todo o elenco, mas grande parte dele estava junto por uma semana. Foi bom estarmos juntos e também foi ótimo nos livrarmos juntos daquele homem terrível.

NB: O programa tomava muito tempo de você, porque eram muitos meses de filmagens, e agora que você… morreu, quais são os seus projetos futuros?

ND: É, bem, eu estou livre! (Risos) É empolgante pra mim ter sido parte de um elenco tão incrível nos últimos anos e agora estou me concentrando em talvez fazer papéis principais em alguns filmes, eu acabei de filmar um filme chamado In Darkness, com o meu noivo, o qual eu co-escrevi. Então é um momento importante pra mim, porque é assustador ver um ator interpretando algo que você escreveu. Mas assustador é bom, é bom ter medo. É saudável porque é como você amadurece. Então eu acabei de filmar In Darkness, que é um thriller psicológico, e estou num filme incrível com Mel Gibson e Sean Penn, The Professor and the Madman, que provavelmente estreará ano que vem ou no começo de 2018. Então… eu sou uma mulher bem sortuda por ter tempo de explorar diferentes tipos de personagens e novos caminhos.

NB: Você vai preferir focar no cinema agora, ou talvez dirigir também, já que você teve agora sua primeira experiência como roteirista, ou você está aberta a trabalhar, no futuro próximo, em séries de novo, ficar em uma coisa que te exija mais tempo?

ND: Eu vou para onde as histórias boas estão. Os melhores escritores estão surgindo na televisão, no momento. Mas ainda existem filmes de qualidade, se você tiver sorte de encontrá-los. Mas eu sou uma atriz de estar atuando constantemente, então posso fazer western ou algo assim. Eu sou muito sortuda; teatro, cinema e televisão, eu tive o privilégio em minha carreira de ter feito todos os três. E eu espero continuar fazendo todos os três. Eu estou muito interessada em me aprimorar, em desenvolver outros projetos por trás das câmeras. Mas vamos ver como In Darkness se sai antes de eu dizer que nunca mais vou escrever novamente.

NB: Você acha que é mais fácil procurar bons projetos em produções menores ou você acha que produções grandiosas hollywoodianas ainda tem papéis de qualidade?

ND: Tem tudo a ver com o roteiro, não tem outra forma mais simples de dizer. Pequenos projetos, grandes produções, tudo começa com o roteiro, com personagens. E você pode encontrar personagens e roteiros incríveis em filmes de orçamento massivo e também dos menores filmes independentes. Então você tem que procurar e ter um pouco de sorte – isso também funciona bem.

A entrevista pode ser assistida nesse link aqui, na página do Facebook do CoxinhaNerd.

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